Combate ao trabalho infantil é debatido por aprendizes em palestra do TRT

Parceria entre idep, TRT e Sejuv reúne magistrados e lideranças locais para orientar turmas de jovens aprendizes na garantia de direitos

O combate ao trabalho infantil e a proteção social das juventudes foram temas centrais da palestra educativa promovida pelo idep juventudes em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-CE). 

A palestra foi conduzida pelo desembargador Durval César de Vasconcelos Maia e pelo juiz do trabalho Antônio Célio Martins Timbó Costa. Os magistrados representam o TRT-CE como gestores do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, integrando as ações do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), uma iniciativa do Governo Federal brasileiro voltada à garantia de direitos.

O encontro aconteceu nesta terça-feira, 14 de julho, na Secretaria de Juventude e Lazer de Maracanaú, reunindo dezenas de jovens aprendizes em uma tarde de aprendizado cidadão. A ideia principal foi conversar com a turma e trazer orientações essenciais voltadas à prevenção da exploração irregular de crianças e adolescentes.

Uma conversa com autoridades sobre o combate ao trabalho infantil

O grande diferencial do momento foi a oportunidade de aproximar as turmas de aprendizagem profissional do Instituto, que já atua como uma entidade qualificadora autorizada na região, ao universo da Justiça do Trabalho.

Além dos palestrantes do tribunal, também estiveram presentes lideranças locais, registrando a presença do secretário municipal Nailton Marques, do presidente da Câmara dos Vereadores, Rafael Pessoa, e da coordenadora pedagógica do idep e diretora de políticas públicas da juventude em Maracanaú, Edna Morais.

Durante a abertura do debate, o desembargador Durval César trouxe uma reflexão profunda ao citar a histórica frase de Nelson Mandela sobre como o verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma como ela trata as suas crianças. O magistrado compartilhou detalhes sobre as ações coletivas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e reforçou a importância do engajamento de toda a população nessa causa.

Na sequência, o juiz Célio Martins conduziu a conversa esclarecendo visões equivocadas que ainda persistem na sociedade atual sobre o tema. O magistrado alertou que o trabalho doméstico precoce se configura como um dos cenários mais perigosos para a infância, justamente pela invisibilidade dos abusos cometidos longe dos olhos públicos.

Dando continuidade aos alertas sobre os malefícios da exploração precoce, o juiz ressaltou que o trabalho infantil infelizmente ainda assola uma grande quantidade de crianças e adolescentes no estado do Ceará. Ele chamou a atenção para responsabilidade dos pais e responsáveis pelas vítimas e apontou que uma eventual culpa recai sobre toda a sociedade, que falha em dar as condições necessárias para o desenvolvimento seguro dessa população:

“Essa conscientização coletiva é o que faz com que o trabalho precoce seja visto como algo prejudicial e desnecessário. Além do esgotamento físico, existem graves consequências psicológicas. Crianças e adolescentes inseridos precocemente no mercado de trabalho, no geral, desenvolvem baixa autoestima. Esse impacto emocional pode estar diretamente ligado ao desenvolvimento de ansiedade, síndrome do pânico e transtorno bipolar”, explicou o Dr. Célio Martins.

O papel da aprendizagem na transformação social

A união de forças entre as entidades do terceiro setor, os órgãos municipais e o Poder Judiciário cumpre o papel de aproximar a legislação trabalhista da realidade das periferias. Para os participantes, o acesso direto a esse conhecimento funcionou como um divisor de águas. Letícia Miranda, jovem aprendiz do idep, destacou o impacto prático de vivenciar o encontro na secretaria:

“Tivemos a oportunidade de acompanhar uma palestra super importante com pessoas incríveis. Esse momento tem uma relevância muito grande para os jovens aprendizes, pois nos ajuda a buscar melhores informações para seguirmos caminhos mais seguros. O debate nos permitiu enxergar e perceber a importância dos nossos direitos e também as negligências que, muitas vezes, não conseguimos identificar no dia a dia por conta da falta de informação”, relatou Letícia.

Reunir no espaço dezenas de jovens focados no futuro demonstra a relevância de abrir canais diretos de diálogo e orientação contínua. Com a conclusão do evento, o aprendizado adquirido serve como base estratégica para o avanço das turmas de aprendizes no mercado corporativo.

A vivência dessa tarde reforça a importância de apoiar o combate ao trabalho infantil e garantir que os novos talentos construam suas trajetórias profissionais com consciência de seus deveres, clareza sobre seus direitos e a segurança de que a aprendizagem profissional é o caminho viável para o futuro.

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